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O mês de agosto caracterizou-se por um cenário de estabilização nos preços dos créditos de carbono nos mercados voluntários. Nesse contexto, foram observados ganhos marginais no âmbito do segmento baseado na natureza (NBS), como pode ser visto pelo índice Platts Nature Based Avoidance, que registrou leve aumento de US$ 0,05, atingindo o valor de US$ 5,50/tCO2e. É importante mencionar que uma parte dos projetos do tipo Redução de Emissões decorrentes do Desmatamento e Degradação de floresta (REDD) enfrenta desafios desde o fim de 2022, porém tem demonstrado uma leve recuperação a partir de abril de 2023. Esse movimento é derivado das recentes críticas sobre a integridades desses créditos, já que artigos como o do The Guardian e alguns estudos científicos questionaram os benefícios ambientais que lastreiam esses créditos em termos de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

S&P Global – Platts

Mesmo diante dessa estabilidade, vale ressaltar que esse segmento se destacou pelo maior volume de aposentadorias no mercado de carbono em julho de 2023, apesar das preocupações relativas à sua fragilidade e à sua qualidade. De acordo com S&P Global Commodity Insights, cerca de 3,39 milhões de créditos baseados na natureza foram aposentados em julho de 2023, em comparação com os 2,87 milhões de julho de 2022, enquanto as emissões desses créditos caíram acentuadamente para 549.065, em comparação com os 2,48 milhões de emissões registradas no mesmo mês do ano anterior. Entretanto, segundo especialista, 60% das aposentarias desse segmento vieram de uma única empresa do segmento automotivo.

Apesar das preocupações no mercado, há uma compreensão geral da necessidade de preservar as florestas e evitar o desmatamento, razão pela qual as pessoas estão comprando e aposentando esses créditos. Além disso, embora haja um interesse crescente nos créditos de florestamento e reflorestamento (ARR), ainda há uma parte significativa do mercado interessada em créditos REDD.

Com o intuito de reforçar a credibilidade e a transparência desses créditos, a Verra tem concentrado esforços no desenvolvimento de uma nova metodologia, que consolida as metodologias REDD. Espera-se que essa nova estruturação traga mais segurança e confiabilidade para o mercado como um todo e reduza potencialmente a quantidade de créditos gerados por projeto ou por hectare de floresta preservado.

Consequentemente, poderemos ver algum impacto nos valores dos créditos desse segmento nos meses subsequentes.

Por Fabiano Machado

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