Risco climático e fluxo de caixa: como a sustentabilidade afeta o valuation das empresas

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O risco climático é um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta no século XXI. As mudanças de clima estão causando eventos extremos, como secas, incêndios florestais, furacões, inundações e tempestades, e isso também afeta a economia global.

À medida que esses acontecimentos se tornam mais frequentes e intensos, as empresas sentem as implicações nocivas em seu fluxo de caixa, tanto nos custos quanto nas receitas.

Impacto no fluxo de caixa

O risco climático pode ter um impacto significativo no fluxo de caixa das empresas. Entre as maiores complicações, destacamos:

  • Aumento dos custos de seguros − As empresas podem precisar contratar seguros mais caros para se proteger contra danos ambientais. Segundo um estudo da Swiss Re Institute, os gastos com  seguros climáticos globais devem aumentar, passando de US$ 100 bilhões, em 2020, para US$ 300 bilhões, em 2030.
  • Aumento dos custos de adaptação − As empresas podem precisar adaptar suas operações às mudanças do meio ambiente, como construir estruturas mais resistentes a eventos climáticos extremos. Um estudo da McKinsey & Company estima que os custos dessa adaptação podem chegar a US$ 2 trilhões por ano até 2050.
  • Perda de receitas − As empresas podem perder receitas se seus produtos ou serviços estiverem associados a eventos climáticos extremos. Por exemplo, a companhia de energia elétrica PG&E foi forçada a declarar falência em 2019 após ser responsabilizada por incêndios florestais que causaram danos da ordem de bilhões de dólares.
  • Perda de vendas − As empresas podem perder vendas se seus clientes sofrerem com fenômenos naturais de grandes proporções. Um estudo da Climate Action Tracker estima que as mudanças climáticas podem reduzir o produto interno bruto (PIB) mundial em até 20% até 2100.
  • Perda de reputação − As empresas podem perder a confiança dos clientes se forem percebidas como não sustentáveis. Um estudo da Nielsen mostra que 66% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços de companhias alinhadas com a sustentabilidade.

Setores afetados

Alguns setores são mais afetados pelo risco climático do que outros. As áreas mais vulneráveis incluem:

  • Agricultura − A agricultura é um setor altamente dependente do clima. Os eventos climáticos extremos podem ocasionar destruição de safras, danos à infraestrutura, aumento dos custos produtivos e flutuações nos preços e na oferta de alimentos. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), as mudanças climáticas podem reduzir a produção agrícola global em 25% até 2050. Conforme o Banco Mundial, até 2030, os prejuízos podem ultrapassar os US$ 500 bilhões, o que resultaria no encarecimento dos itens alimentares.
  • Infraestrutura − A infraestrutura, como estradas, pontes e linhas de energia, é vulnerável a danos climáticos. Os eventos climáticos extremos podem causar interrupções no transporte, na energia e nos serviços públicos. Um estudo do Banco Mundial estima que as mudanças climáticas podem causar US$ 1 trilhão em danos à infraestrutura global até 2050.
  • Turismo − O turismo é um setor que depende do clima para atrair visitantes. Os eventos climáticos extremos podem gerar cancelamentos de viagens e perda de receita. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, as mudanças climáticas podem reduzir o número de turistas mundialmente em 10% até 2050.
  • Seguros − Os desequilíbrios ambientais podem aumentar os custos das seguradoras e reduzir seus lucros. Segundo a McKinsey & Company, se as tendências climáticas continuarem, as seguradoras podem enfrentar um aumento de 50% nas perdas seguradas até 2040. E um estudo da Swiss Re Institute estima que as mudanças climáticas podem elevar os prêmios de seguro global em 20% até 2050.

Impacto no valuation

O risco climático pode ter um impacto negativo no valuation das empresas. Os investidores estão cada vez mais conscientes dessa realidade e vêm descontando o valor das companhias mais vulneráveis a tal risco.

Por exemplo, um estudo do Credit Suisse descobriu que as empresas com maior exposição ao risco climático têm um valuation menor do que aquelas mais protegidas contra as intempéries da natureza. A pesquisa também descobriu que as organizações engajadas em práticas sustentáveis para diminuir seu risco climático têm um valuation maior do que aquelas sem essa preocupação.

Sustentabilidade como resposta

Para minimizar o impacto do risco climático no valuation, recomendam-se práticas sustentáveis, como as listadas a seguir:

  • Redução das emissões de gases de efeito estufa − As empresas podem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa investindo em energia renovável, eficiência energética e tecnologias verdes.
  • Adaptação às mudanças climáticas − As empresas podem adaptar suas operações construindo estruturas mais resistentes a eventos climáticos extremos.
  • Gestão de riscos − As empresas podem investir na apropriada governança ambiental, social e corporativa (environmental, social and governance − ESG) para melhorar sua gestão de riscos, sendo capazes de identificar e mitigar os riscos climáticos.

Um estudo da Harvard Business Review revelou que empresas com altos índices de sustentabilidade financeira são mais rentáveis que as concorrentes. Além disso, as companhias que adotam práticas sustentáveis são vistas de forma mais favorável pelos investidores.

A análise do índice S&P 500 ESG mostra que as entidades com pontuações mais altas em ESG superaram o desempenho do mercado em 2020, demonstrando a crescente importância da sustentabilidade no valuation das empresas.

Conclusão

O risco climático é um desafio crescente para as empresas. Aquelas que não adotarem medidas para reduzi-lo estão em rota de sofrer prejuízos em seu fluxo de caixa e seu valuation. As práticas sustentáveis podem ajudar as organizações a mitigar o impacto do risco climático e melhorar seu desempenho financeiro.

Portanto, as organizações que adotam uma abordagem proativa em relação ao risco climático e à sustentabilidade estão mais bem posicionadas para lidar com os desafios externos e atrair investidores conscientes sobre ESG. A sustentabilidade não é apenas uma conduta ética, mas também uma estratégia de negócios inteligente, apoiada por dados consistentes.

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