Estratégia de descarbonização no âmbito das normas IFRS S1 e S2

estratégia de descarbonização

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A Fundação IFRS (International Financial Reporting Standards), responsável pelas normas IFRS S1 e S2, incorporou o TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclousures), e por isso as novas normas herdaram os quatro pilares da Força-Tarefa: Governança, Estratégia, Gestão de Riscos, e Métricas & Metas. Assim sendo, é possível afirmar que as iniciativas de estratégia de descarbonização não apenas complementam essas normas, mas também constituem um elemento estruturante e obrigatórias para sua efetiva implementação. 

O conjunto de medidas adotadas por uma organização para reduzir suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) consistem na chamada Estratégia de Descarbonização. Dela, as empresas extraem informações que devem constar nos relatórios IFRS S1 e S2: 

  • como pretendem se adaptar à transição para uma economia de baixo carbono;  
  • quais metas climáticas estabeleceram (por exemplo, metas para a cadeia de valor, net zero, entre outras);  
  • quais impactos financeiros são esperados das ações programadas.  

Mais do que uma declaração de intenções, a estratégia de descarbonização deve ser mensurável, auditável e conectada às projeções financeiras. Isso implica integrar indicadores climáticos ao planejamento financeiro corporativo, algo que historicamente não era exigido com esse nível de rigor. 

Conexão com desempenho financeiro 

Um dos principais avanços trazidos pelas IFRS S1 e S2 é a exigência de que as informações de sustentabilidade sejam financeiramente materiais. Ou seja, quando se fala de Estratégia de Descarbonização, não basta reportar emissões ou metas, é necessário demonstrar como esses fatores afetam o valor da empresa. 

Nesse sentido, a estratégia de descarbonização contribui diretamente para: 

  • redução do custo de capital: empresas com bons planos de transição tendem a ser percebidas como menos arriscadas;  
  • atração de investidores institucionais: organizações com metas claras de controle de emissões de GEE são priorizadas;  
  • mitigação de riscos regulatórios: antecipar-se a políticas climáticas evita custos futuros inesperados;  
  • resiliência operacional: menor dependência de combustíveis fósseis reduz exposição à volatilidade de preços.  

Sem uma Estratégia de Descarbonização alinhada ao planejamento financeiro e estratégico, as divulgações requeridas pelas normas tornam-se incompletas, comprometendo a avaliação dos investidores sobre o desempenho do negócio. 

Transparência, métricas e governança 

Outro ponto crítico das normas IFRS S1 e S2 é a ênfase em métricas consistentes e comparáveis. A estratégia de descarbonização facilita o processo de mensuração, pois permite acompanhar: 

  • intensidade de emissões;  
  • progresso em metas de redução;  
  • investimentos em tecnologias limpas;  
  • impactos financeiros associados.  

Além disso, a governança corporativa passa a ter papel central nesse cenário. Conselhos de administração e alta liderança devem adotar supervisão ativa sobre a agenda climática, de modo a integrarem a descarbonização ao planejamento estratégico do negócio. 

A convergência entre sustentabilidade e finanças, impulsionada pelas IFRS S1 e S2, redefine o papel da estratégia empresarial. A descarbonização deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a ser integrada ao core business, influenciando decisões de investimento, inovação e posicionamento competitivo. 

Empresas que não desenvolverem estratégias robustas correm o risco de: 

  • perder acesso a capital;  
  • sofrer desvalorização de ativos (stranded assets);  
  • enfrentar penalidades regulatórias;  
  • comprometer sua competitividade no longo prazo.  

Por outro lado, aquelas que liderarem esse movimento poderão capturar oportunidades significativas, como novos mercados, eficiência operacional e fortalecimento da marca. 

Exemplos no contexto brasileiro 

Algumas empresas brasileiras vêm progredindo de forma significativa no que tange à adoção de Estratégias de Descarbonização. É notório o alinhamento tanto às normas internacionais quanto às demandas de mercado. 

A Vale estabeleceu a meta de zerar as emissões líquidas até 2050, com avanços expressivos no uso de energia renovável — já alcançando 100% no Brasil. Essa estratégia está diretamente alinhada às exigências de divulgação da IFRS S2, sobretudo em relação à resiliência climática. 

Outro exemplo relevante é a Suzano, que investe em tecnologias como a gaseificação de biomassa, reduzindo drasticamente emissões industriais. Seu plano de transição climática vai além da redução, incorpora também a remoção de carbono, o que fortalece a posição da companhia frente a investidores globais. 

A JBS adotou uma meta de net zero até 2040, abrangendo operações globais. Sua estratégia combina redução de emissões com compensações.  

Outras iniciativas incluem a Tereos, que investe em biogás e biometano para substituir o diesel, e a Natura, pioneira com seu programa Carbono Neutro desde 2007. A Solar Coca-Cola se destaca pelo uso integral de energia renovável certificada. 

Além da redução e/ou compensação de emissões de GEE próprias, as empresas brasileiras se destacam por oferecem produtos e serviços com menor intensidade de carbono para as suas cadeias de valor, mostrando que há oportunidades a serem exploradas na nova economia. É o caso da Petrobrás, com o desenvolvimento do diesel renovável e a ampliação da oferta de gás natural para operações industriais. Já a Vale oferece briquetes de minério de ferro, tecnologia que reduz consideravelmente o volume de GEE nos processos siderúrgicos, por exemplo. As duas empresas ainda fomentam, em parceria, estudos sobre hidrogênio verde e combustíveis com menor intensidade de carbono.Outro caso brasileiro de sucesso é a Aço Verde do Brasil (AVB). Ao utilizar carbono de origem 100% vegetal e integrar a gestão das florestas em suas operações, a AVB consegue produzir aço com uma baixa pegada de carbono, se posicionando como uma das líderes globais do setor, além de garantir a sustentabilidade do negócio. 

Conclusão 

Em face do exposto, fica claro que a estratégia de descarbonização não é mais um tema periférico. No âmbito das normas IFRS S1 e S2, ela é o fio condutor que une a governança, a gestão de riscos e as métricas financeiras, fortalecendo a capacidade das empresas de gerar valor sustentável no longo prazo. 

Recomenda-se, portanto, que as organizações avancem na integração entre as áreas de finanças e de sustentabilidade, a fim de desenvolverem modelos que traduzam metas climáticas em impactos econômicos concretos. Esse é o caminho para transformar obrigações regulatórias em vantagem competitiva. 

Apsis Carbon oferece suporte especializado para que sua empresa avance nessa jornada com segurança e credibilidade. Nossos serviços abarcam desde a mensuração rigorosa das emissões de GEE até a estruturação de metas alinhadas às normas IFRS S1 e S2, passando pela integração de indicadores climáticos aos modelos financeiros e de governança. 

Conte com a Apsis Carbon para construir o futuro sustentável da sua organização!

Caio Aversari
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