6º RELATÓRIO SOBRE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

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O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) divulgou recentemente as suas últimas análises e projeções sobre o famigerado aquecimento global, e as notícias não são nada animadoras. De acordo com o relatório, a ambição de limitar o aquecimento em 1,5 ⁰C – por meio de compromissos de redução de emissão de gases do efeito estufa – já é matematicamente inviável. O descompasso entre as metas governamentais e os respectivos projetos, com o avanço das emissões fósseis, já aponta para um cenário provável de aquecimento em torno de 2,8 ⁰C. Isso se todas as Contribuições Nacionalmente Determinadas (ou NDCs, em inglês) forem cumpridas até 2030, de acordo com o prometido pelas nações no Acordo de Paris.

A situação, portanto, é bem grave, e aponta para um cenário de impactos catastróficos que dificilmente pode ser evitado. A próxima Conferência das Partes (COP), em Dubai, deverá ter um foco diverso das últimas reuniões, com ênfase em medidas para acelerar os projetos de redução, o aumento das metas de cada país e o fomento financeiro além do realizado até o momento, já que, em última análise, é o vetor do fluxo financeiro que colocou, e continua a colocar, toda a humanidade em um beco sem saída. Fontes de financiamento de projetos deverão ser revistas em volume de recursos e agilidade na liberação, sendo que o foco agora deverá se estender para os projetos de remediação dos impactos. Afinal, os desastres climáticos aumentarão exponencialmente a cada ano. Até a última COP no Egito, o foco dos recursos continuava a ser para os projetos de redução de emissão – um descaso quase generalizado para os piores cenários de desastres decorrentes do clima.

Para o Brasil, onde, segundo o Observatório do Clima, quase  80% das emissões nacionais históricas são oriundas do desmatamento e do uso da terra, a união de forças entre o governo, o terceiro setor e o setor privado – no desenvolvimento de projetos comprovadamente sustentáveis e éticos, com governança à prova de qualquer tentativa de greenwashing – faz parte do compromisso desejado. Além disso, o relatório aponta para a necessidade urgente de investir e criar mecanismos do governo para lidar com os desastres naturais, além do incentivo financeiro para projetos de mapeamento e alerta da população nas áreas de risco extremo, com certa antecedência às catástrofes.  

O relatório do IPCC pode ser acessado na íntegra por meio deste link:

https://www.ipcc.ch/report/sixth-assessment-report-cycle/

Lembrando que a Apsis, enquanto consultoria, está contribuindo com o planeta por meio da Apsis Carbon, assessorando os seus clientes na jornada ESG e, também, desenvolvendo projetos de carbono de alto impacto.

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